Isso é arte ou…..

Muito se fala sobre arte e suas manifestações. Na atualidade, plena de modelos e formas avançadas e instantâneas de comunicação, são entendidas e apresentadas como obras de arte objetos, manifestações e sons que, num passado não muito distante, seriam considerados meras excentricidades pessoais ou demonstrações de infantilidade.

O conceito de obra de arte é, sem dúvida, de difícil expressão e provoca sérios debates na Filosofia. No campo da Estética, a tendência histórico/sociológica a entende como documento e manifestação do trabalho do homem, produzida no seu âmbito social e histórico. Para Karl Marx,a arte é parte da superestrutura da sociedade, que engloba o Estado, religião, artes, comunicações, etc. De qualquer modo, a arte provoca alguma experiência sensorial no observador e deve exprimir, através de suas respectivas obras, certa durabilidade e ocupação espacial, em suma, demanda alguma concretude, para que sua criação atinja o máximo possível de apreciadores.

A estrita noção de antes, que considerava as artes como música, pintura, dança, teatro e literatura, hoje abrange cinema, fotografia e até história em quadrinhos e jogos de computadores como expressões supostamente válidas e, não raro, são mencionadas expressões como ” futebol arte” ou “arte culinária”, em demonstração de que, na atualidade, qualquer coisa desempenhada com certa qualidade pode, para espanto dos exigentes, ser considerada artística.

Um artista, de fato, possui especial sensibilidade para criar determinada obra ou expressão e, desse modo, transmite sentimentos, ideias, inconformismos em relação ao ambiente social, político, econômico e histórico em que se insere. Sua obra é pessoal, indelegável e exprime sua exclusiva visão de mundo. Por esse motivo, expressões como “obra de arte coletiva” ou “performance de grupo”, muito comuns em certas exposições, parecem meras intenções mercantilistas destinadas a observadores pouco exigentes.

Numa importante avenida da cidade de São Paulo, os pilares e colunas da linha elevada de metrô instalada em sua parte central há anos foram recobertos com pinturas de evidente teor primitivo, parecidas com as que decoram cadernos de adolescentes, geralmente feitas durante tediosas aulas vespertinas. Um dos pilares dessa enorme construção abriga a pretensiosa inscrição de “MAAU – Museu Aberto de Arte Urbana” e submete os transeuntes da via a um torturante trajeto de mais de um quilometro que apresenta, a cada coluna sucessiva, um exemplo perfeito de desperdício de tintas e pincéis que seriam mais úteis no revestimento de tantos muros e imóveis abandonados da cidade. Mais ainda, como essa exposição informa ser de “arte urbana”, cabe perfeitamente a indagação de como ou o que seria a “arte rural”.

Exemplos não faltam para demonstrar que, na sociedade contemporânea, a vulgarização de muitos conceitos, não apenas da Arte, aponta para uma quase nítida dissolução da civilização que conhecemos, que foi e continua pautada pela incessante busca de transformar tudo (ou quase) em mercadoria e comércio.

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O próximo post deste blog terá, provavelmente, o título de Atores são Artistas ?


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